Unlearning Language na criação publicitária

Vamos lá.
O ano é 2123. Perdemos o controle para os robôs. As pessoas agora vivem sob vigilância, monitorados pela IA. Não há liberdade. Qualquer fala, escrita, gesto, tudo é facilmente identificado. Para sobreviver e ter a vida de volta, os humanos estão criando uma nova linguagem desconhecida da IA para se organizarem e conquistarem sua liberdade de volta.
Conseguiu se imaginar dentro desse cenário?
É mais ou menos isso que o projeto Unlearning Language faz, mas em contextos não tão sombrios.

O Unlearning Language foi criado por Lauren McCarthy e Kyle McDonald, como resultado do “Walled Garden Project”, realizado pela YCAM (Yamaguchi Center for Arts and Media), centro de arte japonês.
Qual é a ideia do Unlearning Language?
Um grupo de participantes é guiado por uma IA que deseja treinar humanos para serem menos parecidos com máquinas. À medida que os participantes se comunicam, eles são detectados (usando detecção de fala, reconhecimento de gestos e detecção de expressão) e a IA intervém com luz, som e vibração. Dessa forma, o grupo deve trabalhar em conjunto para encontrar novas maneiras de se comunicar, indetectáveis para um algoritmo. Isso pode envolver bater palmas ou cantarolar, ou modificar a velocidade, o tom ou a pronúncia da fala.


Através desta experimentação lúdica, as pessoas se descobrem revelando as qualidades mais humanas que nos distinguem das máquinas. E começam a imaginar um futuro onde a comunicação humana é priorizada.
Tudo isso depois de a máquina trazer uma história de fundo para essa instalação.
Foi aí que eu imaginei o roteirinho que descrevi no começo da conversa.
Mas não só isso.
Imaginar uma nova linguagem é um grande exercício criativo que fazemos todos os dias.
Nós, que trabalhamos contando histórias com criações publicitárias, sempre buscamos linguagens que não pareça uma linguagem de propaganda. Porque é aquela história que a gente aprende na base: ninguém quer ver propaganda, ninguém gosta, até ver uma boa. E você sabe: as melhores, geralmente, apresentam uma linguagem nova, que não parece propaganda. Não são detectadas. Não acendem o alerta no espectador-consumidor: “Ah, não, lá vem propaganda.” E mudam de canal, vão ao banheiro ou ficam prontos para clicar no “pular propaganda” assim que possível.
Os vícios de linguagem publicitária são as maiores armadilhas do nosso negócio.
São caminhos mais fáceis, que já conhecemos. E esse é o problema: já conhecemos, portanto não tem novidade.
Cabe a nós, agência e clientes, criarmos nossas próprias “Unlearning Languages” para impactar nossos públicos com linguagens criativas.


