Como 1% de melhoria em performance garantiu o ouro nas Olimpíadas

Quando Sir Dave Brailsford se tornou o chefe do ciclismo da Inglaterra em 2002, o time quase não tinha sucessos registrados – apenas uma medalha de ouro em 76 anos. Mas a história mudou rapidamente sob sua liderança. Nas Olimpíadas de Beijing em 2008 seu esquadrão ganhou 7 medalhas de ouro de 10 disponíveis no ciclismo de pista e 4 anos depois repetiu a mesma marca.
Sir Dave aplicou ao ciclismo a teoria dos ganhos marginais. Apostou que o time atingiria um aumento de performance significativo se desmembrasse tudo o que acreditava fazer parte da competição em ciclismo e melhorasse 1% cada elemento.

Em entrevista para a Harvard Business Review, Sir dave afirmou que foi num curso de MBA onde começou seu fascínio por Kaizen e outras técnicas de melhorias por processo:
“Percebi que tínhamos que pensar pequeno e não grande. Adotar uma filosofia de melhoria contínua através da agregação de ganhos marginais. Esqueça de perfeição; concentre em progredir e somar melhorias”.

“Com experimentos no túnel de vento procuramos pequenas melhorias na aerodinâmica. Ao analisar a área de mecânica no caminhão da equipe, descobrimos que a poeira estava se acumulando no chão, prejudicando a manutenção das bicicletas. Então pintamos o chão de branco para identificar qualquer impureza”.

“Contratamos um cirurgião para ensinar nossos atletas sobre como lavar as mãos corretamente, a fim de evitar doenças durante a competição (também decidimos não apertar as mãos durante as Olimpíadas). Éramos precisos com respeito a preparação de comida”.

“Trouxemos nossos próprios colchões e travesseiros para que nossos atletas pudessem dormir na mesma postura todas as noites. Procuramos pequenas melhorias em todos os lugares e encontramos inúmeras oportunidades. Sentimos que tomadas em conjunto, todas essas medidas trouxeram uma vantagem competitiva”.

Como aplicar a ideia de ganhos marginais para a valorização e construção de marcas?
Aproveitar toda e qualquer ação ou manifestação da marca como uma oportunidade de se expressar de forma consistente em direção a uma visão ou ideal. De pouco em pouco, construir um jeito de ser, agir e se expressar. Com o tempo, esse jeito vai se tornando distinto e marcante para quem entra em contato.

Na contramão do imediatismo e falta de foco do gerenciamento de marca dos tempos atuais, historicamente é a consistência e ação de longo prazo que demonstram ser recompensadas com a medalha mais cobiçada: o reconhecimento e valorização do seu público.
Leia a entrevista completa de Sir Dave Brailsford (em inglês):
https://hbr.org/2015/10/how-1-performance-improvements-led-to-olympic-gold


